Tropa de Elite 2

abril 24, 2011

Ouvimos em off o Capitão Nascimento (Wagner Moura) falar logo após ter denunciado vários políticos e policiais corruptos na CPI aberta pelo deputado Fraga.   Roteiro: Bráulio Mantovani e José Padilha.

Capitão Nascimento – Eu fui pra CPI do Fraga pra detonar o sistema.  Eu fui lá pra falar a verdade, pra dizer o que eu estava sentindo. Contei tudo que eu sabia, reconheci meus erros e falei por mais de três horas. E dei porrada em muita gente. Botei muito político na cadeia. Por causa do meu discurso, teve filho da puta que foi pra vala muito antes do que esperava. Foi a maior queima de arquivos da história do Rio de Janeiro. E mesmo assim o sistema continuava de pé. O sistema entrega a mão pra salvar o braço. O sistema se reorganiza, articula novos interesses, cria novas lideranças. Enquanto as condições de existência do sistema estiverem aí, ele vai resistir. Agora me responda uma coisa, quem você acha que sustenta tudo isso? É… E custa caro. Muito caro. O sistema é muito maior do que eu pensava. Não é à toa que os traficantes, os policiais e os milicianos matam tanta gente nas favelas. Não é à toa que existem as favelas. Não é à toa que acontece tanto escândalo em Brasília e que entra Governo, sai Governo, a corrupção continua. Pra mudar as coisas vai demorar muito tempo. O sistema é foda.

Comer Rezar Amar

abril 17, 2011

Ouvimos a voz de Liz Gilbert (Julia Roberts) enquanto ela escreve de Roma para o seu ex–namorado David (James Franco). Livro: Elizabeth Gilbert   Roteiro: Ryan Murphy e Jennifer Salt.

Liz – Lembra quando falou que devíamos ser infelizes juntos pra sermos felizes?  Considere uma prova do quanto te amo eu ter passado tanto tempo tentando fazer essa idéia dar certo. Mas, outro dia, um amigo me levou a um lugar incrível: o Augusteum.  Otaviano Augusto o construiu para abrigar seus restos mortais.  Quando os bárbaros vieram eles o demoliram junto com todo o resto. Como Augusto, o primeiro grande imperador de Roma, imaginaria que Roma e que todo o mundo como ele o conhecia ficaria em ruínas? É um dos locais mais sossegados e solitários de Roma. A cidade cresceu ao seu redor ao longo dos séculos. O lugar é como uma ferida, um coração partido ao qual você se apega pois a dor é boa.  Todos queremos que as coisas permaneçam iguais, David. Aceitamos viver infelizes porque temos medo da mudança, que as coisas acabem em ruínas.  Aí, eu olhei esse lugar, o caos que ele suportou, o modo como foi adaptado, queimado, pilhado e depois encontrou uma maneira  de ser reconstruído, e me tranqüilizei.  Talvez minha vida não tenha sido tão caótica. O mundo que é, e a única armadilha real é nos apegarmos às coisas.  A ruína é uma dádiva. A ruína é o caminho que leva à transformação.

Scarface

abril 6, 2011

Tony Montana (Al Pacino), o maior traficante de Miami, discute com sua mulher Elvira (Michelle Pfeiffer) em um restaurante chic. Depois da discussão, Tony se levanta e fala com os outros clientes que o estão olhando.  Livro: Armitage Trail.   Roteiro: Oliver Stone.

Tony – Vocês são todos uns idiotas. Sabe por quê? Vocês não tem coragem de ser o que querem. Vocês precisam de gente como eu. Precisam de gente como eu para apontar o dedo e dizer “Ele é o bandido”. E vocês o que são? Bons? Vocês não são bons. Vocês apenas sabem como esconder. E mentir.

Minhas Mães e Meu Pai

março 31, 2011

Jules (Julianne Moore) é casada com Nic (Annette Bening) e juntas tiveram dois filhos por inseminação artificial. Depois de trair Nic, Jules faz esse discurso pedindo perdão para ela e para os filhos. Roteiro: Lisa Cholodenko e Stuart Blumberg.

Jules – Em resumo, o casamento é difícil. É difícil pra caralho.  Só duas pessoas, batendo cabeças, ano a ano, envelhecendo, mudando. É uma super maratona, ok? Então, às vezes, você está junto há tanto tempo que você simplesmente para de ver a outra pessoa. Você só vê projeções estranhas do seu próprio lixo interno.  Em vez de falar com a outra pessoa, você sai dos trilhos,  age sujo e faz escolhas estúpidas. E foi o que eu fiz.  E me sinto péssima por isso porque amo vocês e amo sua mãe, e essa é a verdade.  Às vezes você machuca aqueles que mais ama. Não sei porquê.  Se eu lesse mais romances russos… Enfim, só queria dizer o quanto lamento o que fiz. Espero que vocês me perdoem um dia.

Sinais

março 23, 2011

Graham Ness(Mel Gibson) conversa com Merril Hess (Joaquim Phoenix) logo após verem um programa de televisão que mostrava 14 luzes de naves extraterrestres no céu do México.  Roteiro: M. Night Shyamalan

Graham – As pessoas se dividem em dois grupos quando vivenciam um momento de sorte.  O grupo número um vê como mais do que sorte, mais do que coincidência.  Eles vêem como um sinal, uma evidência de que alguém está cuidando deles. O grupo número dois vê como pura sorte, um acaso feliz. Tenho certeza que o grupo número dois está olhando para essas 14 luzes de forma suspeita.  Para eles a situação é meio a meio. Pode ser ruim, pode ser boa. Mas lá no fundo eles sentem que, não importa o que acontecer, eles estão sozinhos. E isso os enche de medo. Sim, existem essas pessoas. Mas tem muita gente no grupo número um e, quando eles vêem essas 14 luzes, eles vêem um milagre. E lá no fundo eles sentem que, não importa o que acontecer, haverá alguém lá para ajudá-los. E isso os enche de esperança. Você deve se perguntar que tipo de pessoa você é.  Você é do tipo que quando vê sinais, vê milagres? Ou você acredita que as pessoas simplesmente dão sorte? Ou veja a questão dessa maneira: É possível que não existam coincidências?

12 Homens e Uma Sentença

março 14, 2011

O jurado McCardle (Joseph Sweeney) um senhor de idade que faz parte do júri popular de um julgamento explica para seus companheiros de júri o motivo pelo qual um velho de 75 anos, que foi uma das testemunhas do caso, mentiu.  Roteiro: Reginald Rose.

Jurado 1–  Por que acha que o velho pode ter mentido?
McCardle – Eu o observei por um longo tempo.  O paletó estava rasgado debaixo do ombro. Você não notou? Como se vem ao tribunal assim? Era um senhor muito idoso e usava um paletó rasgado. Andou bem devagar até a tribuna.  Puxava da perna esquerda e tentava esconder isso porque estava com vergonha. Acho que conheço este homem melhor do que vocês aqui. Este é um homem calado, amedrontado, um velho insignificante que nunca foi nada a vida inteira. Que nunca foi reconhecido ou teve seu nome nos jornais. Ninguém o conhece. Ninguém o cita. Ninguém lhe pede conselhos depois de 75 anos. Cavalheiros, é uma coisa triste não ter expressão alguma. Um homem como este precisa ser citado, precisa ser ouvido. Ser citado ao menos uma vez é muito importante para ele. Seria duro para ele se isolar em seu mundo.
Jurado 2 – Está dizendo que ele mentiu para se sentir importante?
McCardle – Não, ele não mentiria deliberadamente. Mas talvez tenha se forçado a acreditar que ouviu aquilo e reconheceu o rosto do rapaz.

Sessão Extra – Estamira

março 9, 2011

Estamira é um documentário sobre uma mulher de 63 anos que sofre de distúrbios mentais e que durante 20 anos vive e trabalha em um lixão. Em meio a frases sem sentido, Estamira fala coisas de uma lucidez impressionante, que faz a gente repensar sua loucura. Filme: Marcos Prado e José Padilha.

Estamira –  Isso aqui é um depósito dos restos. Às vezes é só resto. E às vezes vem também descuido. Resto e descuido.  Quem revelou o homem como único condicional ensinou ele a conservar as coisas. E conservar as coisas é proteger, lavar, limpar e usar mais, o quanto pode. Você tem sua camisa. Você está vestido, você está suado. Você não vai tirar sua camisa e jogar fora. Você não pode fazer isso. Quem revelou o homem como único condicional não ensinou a trair, não ensinou humilhar, não ensinou tirar. Ensinou ajudar. Miséria não, mas as regras, sim. Economizar as coisas é maravilhoso. Porque quem economiza tem. Então as pessoas têm que prestar atenção no que eles usam, no que eles têm. Porque ficar sem é muito ruim.

Estamira

março 3, 2011

Estamira é um documentário sobre uma mulher de 63 anos que sofre de distúrbios mentais e que durante 20 anos vive e trabalha em um lixão. Em meio a frases sem sentido, Estamira fala coisas de uma lucidez impressionante, e faz a gente repensar sua loucura. Filme: Marcos Prado e José Padilha.

Estamira –  Vocês não aprendem na escola, vocês copiam. Vocês aprendem é com as ocorrências.  Eu tenho neto com dois anos que já sabe disso. Tem de dois anos e ainda não foi na escola copiar hipocrisias e mentiras charlatais.

 

 

Minha Cama de Zinco

fevereiro 16, 2011

Victor Quinn (Jonathan Pryce) um grande empresário que já foi comunista, fala com o repórter Paul Peplow (Paddy Considine) sobre os capitalistas. Peça de Teatro: David Hare.  Roteiro: David Hare.

Victor – Capitalistas me fazem rir, não entendem nada. Falam de estratégia e mercado como se os controlassem. Usam artifícios suavizantes como mansões, hotéis e empregados. Usam o luxo como massagem para se convencer que brilharam, que suas ações foram brilhantes.
Paul – E o que foi de fato?
Victor – Trabalharam duro, e só. Trabalharam duro e tiveram um pouco de sorte.

 

O Primeiro Ano do Resto de Nossas Vidas

fevereiro 7, 2011

Kevin (Andrew McCarthy) está andando pela rua quando uma prostituta (Anna Maria Horsford) oferece seus serviços a ele. Roteiro: Joel Schumacher e Carl Kurlander.

Kevin – Eu não pago por sexo.
Prostituta – Ah não?  Você acha que com uma esposa ou namorada você não paga? Você paga. E  ainda não é certeza que vai conseguir.

Pi

janeiro 11, 2011

Sol Robenson (Mark Margolis) conversa com Maximillian Cohen (Sean Gullete) na tentativa de convencê-lo a trabalhar menos pois ele está obcecado em sua procura pelo significado do número pi.  Argumento: Darren Aronofsky, Sean Gullette e Eric Watson.  Roteiro: Darren Aronofsky .

Sol Robenson – Você lembra de Arquimedes, de Siracusa? O rei pediu a ele que determinasse se um presente que recebera era realmente de ouro maciço. Problema insolúvel na época. Isto torturou o grande matemático grego por semanas. Atormentado pela insônia, ele rolou na cama várias noites. Finalmente, sua esposa, igualmente exausta, obrigada a dividir a cama com um gênio,  convenceu-o a tomar um banho e relaxar. Ao entrar na banheira Arquimedes percebeu que a água subira. Deslocamento. Um modo de determinar o volume. Logo, um modo de determinar a densidade. Massa sobre volume. E assim, Arquimedes resolveu o problema. Ele gritou “eureca!” e , emocionado, correu molhado e nu pelas ruas até o palácio do rei para contar a sua descoberta. Agora, qual é a moral da história?
Max – Uma descoberta será feita.
Sol Robenson – Errado! O ponto chave da história é a esposa. Escute sua esposa, ela lhe dará perspectiva, ou seja, você precisa descansar. Tome um banho ou não chegará a lugar nenhum. Não haverá ordem, apenas caos.

Diário de uma Paixão

dezembro 27, 2010

Logo no início do filme vemos Duke (James Garner) falar a respeito de sua vida e de seu amor por sua esposa.  Livro: Nicholas Sparks.  Roteiro: Jan Sardi e Jeremy Leven.

Duke – Eu não sou ninguém especial. Apenas um homem comum com pensamentos comuns. Eu levo uma vida comum. Não há nenhum monumento dedicado a mim e o meu nome logo será esquecido. Mas em um aspecto eu fui tão gloriosamente bem sucedido quanto qualquer outra pessoa que já viveu. Eu amei alguém com todo o meu coração e alma. E para mim isso sempre foi o suficiente.

Lado a Lado

dezembro 20, 2010

Jackie (Susan Sarandon) é mãe de dois filhos e está com câncer terminal. Ela conversa com Isabel (Julia Roberts) a madrasta dos seus filhos e quem vai criá-los depois que ela morrer.  Argumento: Gigi Levangie   Roteiro: Gigi Levangie, Jessie Nelson, Steven Rogers, Karen Leigh Hopkins e Ronald Bass.

Isabel – Eu nunca quis ser mãe. Dividir isso com você é uma coisa, mas carregar isso sozinha para o resto da vida, sempre sendo comparada a você… Você é perfeita. Eles a idolatram. Eu só não quero passar todos os dias nos próximos 20 anos sabendo que alguém teria feito direito, feito melhor, de uma maneira que eu não consigo.
Jackie – O que eu tenho que você não tem?
Isabel – Você é a mãe natureza encarnada.
Jackie – E você é moderna e jovem.
Isabel – Você cavalga com Anna.
Jackie – Você aprenderá.
Isabel – Você conhece cada história, cada machucado, cada memória. Toda a alegria da vida deles está centrada em você. Cada momento. Você não entende? Imagine o casamento dela. Estou num quarto sozinha com ela, ajeitando o véu, afofando o vestido, dizendo a ela que nenhuma mulher nunca esteve tão bonita. E meu medo é que ela esteja pensando “Eu queria que minha mãe estivesse aqui”.
Jackie – E o meu é que ela não esteja.

Iris

dezembro 10, 2010

A escritora Iris Murdoch (Judi Dench) fala sobre educação em uma palestra para a qual foi convidada. Livro: John Bayley.  Roteiro: Richard Eyre e Charles Wood

Iris Murdoch – A educação não faz você feliz. E tampouco a liberdade. Não nos tornamos felizes somente porque somos livres, se somos. Ou por termos sido educados, se formos. Mas porque a educação pode ser o meio pelo qual percebemos que somos felizes. Ela abre nossos olhos, nossos ouvidos. Nos conta onde as maravilhas estão secretamente nos esperando. Nos convence de que só existe uma liberdade que realmente importa: a da mente. E nos dá a segurança, a confiança para trilhar o caminho que nossa mente, nossa mente educada, oferece.

Participação Especial – Bonequinha de Luxo

novembro 27, 2010

Dica de Gabi Melo


Diálogo entre Paul (George Peppard) e Holly (Audrey Hepburn) quando ele se declara apaixonado por ela. Livro: Truman Capote.  Roteiro: George Axelrod.

Paul – Holly, estou apaixonado por você.
Holly – E daí?
Paul –E daí?! E daí muita coisa. Eu a amo. Você me pertence.
Holly – Não. As pessoas não se pertencem.
Paul – Claro que sim.
Holly – Ninguém vai me pôr em uma jaula.
Paul –Não quero colocá-la em uma jaula. Eu quero amá-la.
Holly – É a mesma coisa.
Paul – Não é não. Holly…
Holly – Não sou Holly. Não sou nem Lula Mae. Não sei quem eu sou. Sou como esse gato. Somos dois coitados sem nome. Não  pertencemos a ninguém e ninguém pertence a nós. Nós nem sequer pertecemos um ao outro
(…)
Paul –Sabe qual é o seu problema, Srta. Quem-quer-que-seja? Você é medrosa. Não tem coragem. Tem medo de encarar a realidade e dizer “A vida é um fato. As pessoas se apaixonam sim e pertencem umas às outras sim, porque esta é a única chance que têm de serem realmente felizes”. Você acha que é um espírito livre, selvagem e morre de medo de ser enjaulada. Bem, querida, você já está nessa jaula. Você mesma a construiu. E ela não fica em Tulip, Texas ou em  Somaliland. Ela está em qualquer lugar que você vá. Porque não importa para onde você corra, você sempre acaba trombando consigo mesma.

 

Diálogo entre Paul (George Peppard) e Holly (Audrey Hepburn) quando ele se declara apaixonado por ela. Livro: Truman Capote.  Roteiro: George Axelrod.

 

Paul – Holly, estou apaixonado por você?

Holly – E daí?

Paul –E daí?! E daí muita coisa. Eu a amo. Você me pertence

Holly – Não. As pessoas não se pertencem.

Paul – Claro que sim

Holly – Ninguém vai me pôr em uma jaula.

Paul –Não quero colocá-la em uma jaula. Eu quero amá-la.

Holly – É a mesma coisa.

Paul –Não é não. Holly…

Holly – Não sou Holly. Não sou nem Lula Mãe. Não sei quem eu sou. Sou como esse gato. Somos dois coitados sem nome. Não  pertencemos a ninguém e ninguém pertence a nós. Nós nem sequer pertecemos um ao outro

(…)

Paul –Sabe qual é o seu problema, Srta. Quem-quer-que-seja? Você é medrosa. Não é corajosa. Tem medo de encarar a realidade e dizer“ A vida é um fato. As pessoa se apaixonam sim e pertencem umas às outras sim, porque esta é a única chance que têm de ser realmente felizes. Você acha que é um espírito livre, selvagem e morre de medo de ser enjaulada. Bom, querida, você já está nessa jaula.Você mesma a construiu. E ela não fica em Tulip, Texas ou em  Soamaliland. Ela está em qualquer lugar que você vá. Porque não importa para onde você corra, você sempre acaba trombando consigo mesma.