Archive for junho \27\UTC 2010

Soldado Anônimo

junho 27, 2010

O soldado Swofford (Jake Gyllenhaal), logo no começo do filme, conta essa pequena história sobre a guerra.  Livro: Anthony Swofford   Roteiro: William Boyles Jr.

Swofford  – Uma história. Um homem dispara um fuzil por vários anos e vai para a guerra.  Depois de um tempo, ele devolve o fuzil ao arsenal e acredita que não o usará mais. Mas não importa o que mais ele vá fazer com as mãos: amar uma mulher, construir uma casa, trocar a fralda do filho. Suas mãos o lembrarão do fuzil.

Sessão Extra – Janela da Alma

junho 21, 2010

Homenagem ao grande escritor José Saramago.

Depoimento de José Saramago neste documentário que fala sobre a visão, sobre o modo de ver as coisas. Diretor: João Jardim e Walter Carvalho.

José Saramago – Eu ia muito a ópera no São Carlos, no teatro de ópera de Lisboa. E eu ia sempre para o galinheiro, para a parte de cima, de onde via uma coroa. O camarote real começava lá embaixo, ia até em cima e fechava com uma coroa dourada enorme. Coroa essa que vista do lado da platéia, dos camarotes era magnífica. Mas do lado em que nós estávamos não era, pois a coroa só estava feita entre as quartas partes e dentro era oca e tinha teias de aranha e tinha pó. Isso foi uma lição que eu nunca esqueci. Nunca esqueci essa lição. Para conhecer as coisas há que dar-lhes a volta, dar-lhes a volta toda.

Participação Especial – Tiros em Columbine

junho 17, 2010

Participação Especial é um espaço onde você pode colocar o seu trecho de filme favorito. Mande sua dica para thiagojd@gmail.com. Não é preciso escrever o diálogo, basta dizer qual é o filme, os atores que fazem parte da cena e explicar um pouco o conteúdo da conversa.

Dica de Sergio Saad

Conversa entre Michael Moore e Marylin Manson sobre o massacre em que dois adolescentes (Dylan e Eric) mataram 14 estudantes e um professor na Columbine High School. Roteiro – Michael Moore

Michael Moore – Se você pudesse falar diretamente com os garotos de Columbine ou com as pessoas daquela comunidade, o que você diria se eles estivessem aqui agora?
Marilyn Manson – Eu não diria uma única palavra para eles, eu ouviria o que eles têm a dizer, que foi o que ninguém fez.

Janela da Alma

junho 8, 2010

Neste documentário sobre a visão, vemos o depoimento da cineasta finlandesa Marjut Rimminem que foi estrábica durante grande parte da sua vida.  Diretor: João Jardim e Walter Carvalho.

Marjut Rimminem – Posso olhar para você e você provavelmente percebe que estou olhando para você. Antigamente quando eu olhava para uma pessoa, ela virava para o lado e perguntava “Com quem está falando?”. E isso era terrivelmente desagradável. Você não tem aquele contato com as pessoas. Eu lembro da minha mãe sempre olhando para mim com aquele olhar triste e deprimido. Olhando para mim, mas sem se comunicar comigo. Olhando através de mim como que dizendo “Coitada da minha filha, que horror”. E isso me afetou. Como se eu fosse um fracasso para que ela me olhasse assim. Mas eu estava decidida a não ser um fracasso, a lutar e fazer de tudo que pudesse, a escolher uma profissão na qual, possuindo algo único, conseguisse transformar essas cinzas em uma jóia. (…) Eu queria ser princesa como minhas colegas de classe, desempenhar o papel principal de princesa no teatro da escola, mas nunca fui escolhida para o papel de princesa. Meu papel era, frequentemente, o papel do rei. E eu passava a maior parte do tempo de cena embaixo de um pano cinza, transformada em pedra devido a um encantamento. No final da peça, quando o feitiço era quebrado, eu me levantava e podia voltar a ser rei durante aproximadamente dois minutos, e a peça acabava. Esse era meu papel. Então deixei de querer, depois de um certo tempo, parei de desejar o papel principal. Comecei a imaginar. E o fato de ser cineasta e de fazer cinema de animação me permite desempenhar todos os papéis. Eu manipulo os bonecos, desenho as personagens. Assim desempenho o papel de todas as personagens. O que me agrada muito. Finalmente consegui o papel da princesa ao qual sempre aspirei na escola. E o paradoxo em tudo isso é que logo depois da última operação, que foi bem sucedida e os olhos foram corrigidos, ninguém notou a diferença. Ninguém me disse:  “O que houve com seu olho? Que maravilha!”. Ninguém notou. Então de que adiantou todo esse trauma? Foi uma lesão interna.