Archive for janeiro \26\UTC 2010

Jogos, Trapaças e Dois Canos Fumegantes

janeiro 26, 2010

Barry (Lenny McLean) fala ao telefone com Dean (Jake Abraham). Roteiro: Guy Ritchie

Barry Quando você dança com o diabo tem de esperar a música acabar.

Participação Especial – Pescador de Ilusões

janeiro 20, 2010

Participação Especial é um espaço onde você pode colocar o seu trecho de filme favorito. Mande sua dica para thiagojd@gmail.com. Não é preciso escrever o diálogo, basta dizer qual é o filme, os atores que fazem parte da cena e explicar um pouco o conteúdo da conversa.

Dica de Monique Vidal do blog A Sombra da Lua

Conversa entre Parry (Robin Willians) e Lydia (Amanda Plummer) enquanto ele a leva para casa depois do primeiro encontro. Roteiro: Richard LaGravenese.

Lydia – Não precisa me dizer coisas bonitas. É fora de moda diante do que vamos fazer.
Parry – O que vamos fazer?
Lydia – Está indo até minha casa. Acho que está um pouco atraído por mim. E talvez queira subir para um café.
Parry – Eu não bebo café.
Lydia – Vamos beber algo e conversaremos para nos conhecermos melhor, ficaremos à vontade. Então você vai dormir comigo. E de manhã você vai acordar e estará distante. E não poderá tomar café da manhã comigo. Talvez só uma xícara de café.
Parry – Eu não bebo café.
Lydia – Então trocaremos telefones e você partirá. E nunca ligará. Eu irei trabalhar me sentindo tão bem por uma hora, e então lentamente irei me transformar num trapo… Não sei por que estou entrando nessa. Foi um prazer conhecê-lo.  Boa noite
Lydia sai correndo.
Parry – Boa noite. Espere! Espere! Por favor.
Parry corre atrás de Lydia e a alcança na frente da porta da casa dela.
Lydia – Não estou me sentindo bem.
Parry – Não é à toa.  Em 30 segundos, nos conhecemos, fizemos amor e rompemos. E não me lembro de ter dado o primeiro beijo, que é a melhor parte.
Lydia – Foi muito especial para mim…
Parry – É hora de você se calar. Cale-se, por favor. Não vou subir. Não tinha essa intenção.
Lydia – Oh, meu Deus!  Você não quer.
Parry – Quero sim.  Não imagina como você me excita. Mas não quero só uma noite.  Preciso confessar algo para você.
Lydia – É casado?
Parry – Não.
Lydia – Divorciado?
Parry – Não.
Lydia – Tem alguma doença?
Parry – Não. Pare, por favor. Estou apaixonado por você.
Lydia faz que vai falar algo. Parry faz um gesto para ela ficar em silêncio.
Parry – E isso não é de hoje. Conheço você há muito tempo. Sei que sai do serviço ao meio-dia, fica presa na porta, é empurrada e, três segundos depois, sai de novo. Ando atrás de você no almoço. Se é um bom dia, você compra um romance na livraria. Sei o que você pede para comer. Às quartas, almoça no Dinsum e compra um doce antes de voltar ao trabalho. Eu sei que você odeia o seu serviço, não tem muitos amigos. Às vezes fica atrapalhada e não se sente tão maravilhosa quanto os outros. Sente-se sozinha e abandonada.  Eu amo você.  Eu amo você. Eu acho que você é a  melhor coisa depois da prateleira de temperos. E ficarei mais que feliz se eu puder ter apenas um primeiro beijo. E não ficarei distante. Voltarei de manhã e ligarei, se você deixar. Mas ainda sim não beberei café.
Lydia – Você é real, não é?

A Loja Mágica de Brinquedos

janeiro 15, 2010

Dedico este texto as minhas queridas primas Mariana, Leila, Cecília e Juliana pela grande perda que tiveram este ano. Força.

Sr. Magorium (Dustin Hoffman), um excêntrico dono de uma loja de brinquedos, conta para sua assistente Mahoney (Natalie Portman) que vai morrer naquele dia. Ela fica triste e não aceita. Então ele faz esse belo discurso. Roteiro: Zach Helm.

Sr. Magorium – Quando o Rei Lear morre no ato 5, sabe o que Shakespeare escreveu? Ele escreveu “Ele morre”.  Só isso. Nada mais. Sem fanfarras, sem metáforas, sem palavras finais brilhantes. O ponto culminante da mais influente obra da literatura dramática é “Ele morre”. Foi preciso Shakespeare, um gênio, para escrever “ele morre”.  E sempre que leio essas palavras, sou tomado por um desassossego.  Sei que é natural ficar triste. Mas não pelas palavras “ele morre”, mas pela vida que vimos antes dessas palavras.
Eu vivi todos os meus cinco atos, Mahoney. E não peço para que fique feliz com minha partida. Só peço que vire a página, continue lendo e deixe que a próxima história comece. E, se algum dia alguém perguntar por mim, conte minha vida com todo o esplendor e termine com um simples e modesto: “Ele morreu”.

Gran Torino

janeiro 5, 2010

O padre Janovich (Christopher Carley) vai até a casa de Walt Kowalski (Clint Eastwood) conversar sobre a confusão que ele arrumou com uma gangue e sobre o ato de se confessar.  Roteiro: Nick Schenk e Dave Johannson

Padre –  Boa tarde, Walt
Walt – Já disse que não vou me confessar.
Padre – Por que não chamou a policia?
Walt – Como é?
Padre –  Trabalho com algumas das gangues hmong e soube que houve um problema no bairro. Por que não chamou a policia?
Walt – Bem, rezei para que a polícia aparecesse mas não fui atendido.
Padre –  Onde estava com a cabeça? Alguém poderia ter morrido. Era uma questão de vida ou morte.
Walt – Quando surge um problema é preciso agir rápido.  Na Coréia, quando mil chinas vinham para cima da gente gritando, a gente não chamava a polícia, a gente reagia.
Padre –  Não estamos na Coréia, Sr. Kowalski. Andei pensando na conversa que tivemos sobre vida e morte.  Sobre o que disse, sobre como carrega as coisas horríveis que teve que fazer. Coisas horríveis que não consegue esquecer.  Seria bom que pudesse se livrar desse fardo. O que se faz na guerra é terrível.  Receber ordem para matar. Matar para se salvar, para salvar os outros.  Tem razão. Sobre essas coisas, eu não sei nada. Mas sei sobre perdão. Eu vi muitos homens que confessaram seus pecados, admitiram sua culpa e se livraram desse peso.  Homens mais fortes do que o senhor.  Homens que foram obrigados a fazer coisas horríveis na guerra e agora estão em paz.
Walt – Tiro o chapéu para você, padre. Você veio preparado desta vez.
Padre –  Obrigado
Walt – E tem razão quanto a uma coisa: homens mais fortes do que eu conseguindo a salvação. Aleluia. Mas engana-se quanto a outra coisa.
Padre – O quê, Sr. Kowalski?
Walt – O que mais apavora um homem é o que ele fez e não era obrigado a fazer.