Archive for setembro \28\UTC 2009

Participação Especial

setembro 28, 2009

Participação Especial é um espaço onde você pode colocar o seu trecho de filme favorito. Mande sua dica para thiagojd@gmail.com. Não é preciso escrever o diálogo, basta dizer qual é o filme, os atores que fazem parte da cena e explicar um pouco o conteúdo da conversa. Participem.

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DANÇA COMIGO

Dica de Sandra Batista

Beverly (Susan Sarandon) conversa com o detetive Devine (Richard Jenkins) Roteiro: Audrey Wells  e Masayuki Suo.

Beverly – Por que acha que as pessoas se casam?

Sr. Devine – Paixão!

Beverly –  Não.

Sr. Devine –  Interessante, eu pensei que você fosse uma romântica. Então, por que é?

Beverly –  Porque precisamos de uma testemunha para nossas vidas. Há um bilhão de pessoas no mundo, que importância tem a vida de cada pessoa, na verdade? Mas no casamento, você se compromete a se importar com tudo. As coisas boas, as coisas ruins, as coisas terríveis, as coisas comuns… com tudo, sempre, todos os dias. Você diz: “a sua vida não passará sem ser notada, porque eu estarei lá para notar. Sua vida não ficará sem testemunhas, porque eu serei a sua testemunha.”

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Gênio Indomável

setembro 21, 2009

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Sean (Robin Williams) dá uma bela explicação sobre a vida ao seu paciente Will Hunting (Matt Damon).   Roteiro: Ben Affleck e Matt Damon

Sean – Pensei no que disse outro dia sobre o meu quadro. Passei metade da noite acordado. Até que me toquei de algo e caí num sono profundo. E não pensei mais nisso. Sabe o que foi?
Will – Não
Sean – Você é só um garoto. Não sabe o que está falando.
Will – Obrigado.
Sean – Tudo bem… Você já saiu de Boston?
Will –  Não.
Sean – Se eu te perguntar sobre arte, me dirá tudo escrito sobre o tema. Michelangelo, você sabe muito sobre ele: sua obra, aspirações políticas, ele e o papa, tendências sexuais, tudo. Mas não pode falar do cheiro da Capela Sistina. Nunca esteve lá, nem olhou aquele teto lindo. Nunca o viu. Se eu te perguntar sobre mulheres, me dará uma lista das favoritas. Já deve ter transado algumas vezes, mas não sabe o que é acordar ao lado de uma mulher e se sentir realmente feliz. Você é um garoto sofrido.  Se perguntar sobre a guerra, vai me citar Shakespeare “Outra vez ao mar, amigos.” Mas não conhece a guerra. Nunca teve a cabeça do seu melhor amigo no colo e viu seu último suspiro pedindo ajuda. Se te perguntar sobre amor, citará um soneto. Mas nunca olhou uma mulher e se sentiu completamente vulnerável. Alguém que o entendesse com um olhar, como se Deus tivesse posto um anjo na Terra só para você, para salvá-lo do inferno. E você sem saber como ser o anjo dela, como amá-la, apóia-la, estar com ela sempre, em tudo… no câncer.  Não sabe o que é dormir sentado num hospital por dois meses, segurando a mão dela, porque os médicos viam em seus olhos que o termo “horário de visitas” não se aplica a você. Não sabe nada de perda, porque ela só ocorre quando você ama algo mais que a si próprio. Duvido que já tenha amado alguém assim. Olho pra você, e não vejo um homem inteligente e confiante. Só um garoto convencido e assustado. Mas você é um gênio, é inegável. Ninguém entenderia sua complexidade. Mas você acha que me conhece por um quadro e disseca minha vida. Você é um órfão, não é?  Acha que sei de como sofreu, como se sente, quem você é, porque li Oliver Twist?  Você se resume a isso? Pessoalmente estou cagando para isso, porque eu não posso aprender nada sobre você, não posso ler em nenhum livro. A menos que me conte sobre você, quem você é. Isso me fascinaria. Isso sim. Mas não quer fazer isso não é? Morre de medo do que poderia dizer. Você que sabe.

Closer

setembro 15, 2009

closer

Discussão entre Dan (Jude Law) e Alice (Natalie Portman) logo após ele terminar com ela para ficar com Anna (Julia Roberts).  Baseado na peça de Patrick Marber    Roteiro: Patrick Marber

Dan – Lamento muito.
Alice – É irrelevante. Lamenta o quê?
Dan – Tudo.
Alice – Por que não me contou antes?
Dan – Covardia.
Alice – É por ela ser bem-sucedida?
Dan – Não. É porque ela não precisa de mim.
Alice – Você trouxe ela aqui?
Dan – Sim.
Alice – Ela não se casou?
Dan – E parou de me ver.
Alice – Foi durante a nossa viagem? Para comemorar nossos 3 anos juntos? Você ligou pra ela? Implorou que voltasse? Quando ia dar seus “longos passeios sozinho”?
Dan – Sim.
Alice – Seu merda.
Dan – A decepção é algo brutal. Não vou negar.
Alice – Como? Como você consegue? Como faz isso com alguém?
Dan fica em silêncio tentando pensar em algo pra dizer.
Alice – Isso não é resposta.
Dan – Me apaixonei por ela.
Alice – Ah! Como se você não tivesse escolha. Tem um momento. Tem sempre um momento: “Posso me entregar ou posso resistir.” Não sei quando foi o seu, mas tenho certeza que existiu.

Advogado do Diabo

setembro 10, 2009

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O Diabo, na figura de John Milton (Al Pacino), dá sua opinião sobre Deus e sobre si mesmo ao seu filho Kevin (Keaune Reeves). Baseado no livro de Andrew Neiderman    Roteiro: Jonathan Lemkin e Tony Gilroy.

John Milton –  Escute aqui, vou te dar algumas informações sobre Deus. Deus gosta de observar. Ele é um gozador. Pense. Ele dá instintos ao homem. Ele dá a você esse extraordinário dom, e o que faz depois? Eu juro, para a própria diversão dele, para sua própria comédia cósmica particular, ele cria regras contrárias. É a maior piada de todas. Olhe, mas não toque. Toque, mas não prove. Prove. Não engula. E, enquanto você pula de um pé para o outro, o que Ele faz? Ele fica se mijando de tanto rir. Ele é um sacana. Um sádico. Ele é um patrão ausente. Adorar isso? Nunca
Kevin – “É melhor reinar no inferno que servir no céu”, não é?
John Milton –  Por que não? Estou aqui com o meu nariz no chão desde que tudo começou. Eu nutri cada sensação que o homem foi inspirado a ter. Eu me preocupei com seus desejos e nunca o julguei. Por quê? Porque eu jamais o rejeitei, apesar de suas imperfeições. Eu sou um fã do homem! Eu sou um humanista. Talvez o último humanista. Quem, em sã consciência, poderia negar que o século XXI foi inteirinho meu? O século todo! Todo! Meu! Estou no topo, Kevin. É a minha vez agora. É a nossa vez.